O ano foi de intempéries climáticas, marcado por um período de seca prolongado e perda de produção na agropecuária. Ainda assim, ele chega ao final com números positivos para o agronegócio mineiro, que acumula uma alta de 17,8% nas exportações em comparação ao ano anterior, um volume de US$ 14,17 bilhões de janeiro a outubro.
O Valor Bruto da Produção (VBP) do agro mineiro em 2024 chegou a R$ 150,33 bilhões, crescimento de 7,6% em relação a 2023. “Foram 17,8% de crescimento no valor exportado e 10,9% no valor de produção, mostrando que, mesmo em um ano difícil da economia e também com dificuldades climáticas, a agricultura e a pecuária mineira continuam mostrando a que vieram. Continuamos crescendo, trazendo riqueza e divisas para Minas Gerais. O café, mais uma vez, foi o produto que chamou atenção”, analisou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar), Antônio de Salvo. O café representou 43,7% do total exportado.
A cultura enfrenta desafios particulares neste ano. A safra foi 3,3% menor do que a anterior, mesmo com aumento de 3% das áreas de produção. “O mercado interno de café está abastecido. Tivemos queda de volume devido à seca, às altas temperaturas e às chuvas de granizo no fim do ano passado e começo deste. Para o ano que vem, com o tamanho da seca que houve e com uma primeira florada não muito boa, certamente não teremos aumento, mas queda da produção. O tamanho disso será mensurado em janeiro, fevereiro e março”, prosseguiu de Salvo. O cenário pode ter reflexos no preço do cafezinho dos mineiros.
Projeções para o agro em 2025
A China foi o principal destino exportador do Brasil, com negócios de US$ 3,8 bilhões, seguida pelos EUA (US$ 1,4 bilhão). Nesta semana, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Brasil é um país que “taxa muito” e ameaçou “taxá-lo da mesma forma”. Questionado sobre possíveis dificuldades para o agro sob o novo governo, de Salvo afirmou que não enxerga problemas na relação. “Não vejo o menor risco para a maioria dos nossos setores que exportam, seja o agro ou o industrial. Vejo com tranquilidade”, pontuou.
Ele também celebrou o avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cujas negociações foram concluídas no início deste mês. Ele foi negociado sob protesto de produtores rurais europeus, especialmente os franceses. “Somos muito competentes na agricultura e pecuária. Qualquer acordo que diminuir a tarifa será vantajoso para nós. Não temos medo de ninguém no mundo no que diz respeito à agricultura e à pecuária”, concluiu o presidente.





























