Documentos internos da rede social Facebook revelam que a empresa tem conhecimento de casos de tráfico de pessoas, com abusos físicos e sexuais, em anúncios de trabalho disponibilizados na rede. Os Facebook Papers, série de notícias inéditas com dados vazados pela ex-funcionária Frances Haugen, informam que a rede faz relatórios dos casos de “servidão doméstica” desde 2018.

Segundo o consórcio de 17 jornais dos Estados Unidos, que tem acesso aos arquivos de Frances Haugen, em 2019, outra gigante do mercado tecnológico, a Apple, ameaçou retirar o aplicativo de sua loja online, após saber dos casos.

O Facebook Papers publica ainda que funcionários da empresa, que trabalham na moderação de conteúdo, fizeram alterações de emergência nas políticas públicas da empresa, mas estas ações não foram suficientes para barrar os casos de “servidão doméstica”. No início deste ano, um relatório interno da empresa observou que “ainda existem lacunas em nossa detecção de entidades na plataforma engajadas em servidão doméstica” e esmiuçou como as plataformas da empresa (Whatsapp e Instagram, além do Facebook) são usadas para recrutar, comprar e vender postos de trabalhos que promovem tráfico de pessoas.

Segundo a CNN Internacional, o relatório interno do Facebook registra que as vítimas dos trabalhos com servidão doméstica, majoritariamente mulheres, são privadas de comida, salário e tem documentos pessoais confiscados. De acordo com o jornal The Washington Post, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg tem ignorado avisos de empregados sobre estes e outros riscos das decisões do funcionamento e do design dos aplicativos da corporação, expondo comunidades em todo o mundo a conteúdos perigosos e prejuízos à democracia.

Outras denúncias

Além dos conflitos internos, o Facebook Papers revelam que nas eleições presidenciais dos EUA em 2020, a rede social não deu conta de postagens que promoveram violência, desinformação e discurso de ódio, culminando na invasão de um grupo pro-Trump no Capitólio, centro do poder legislativo dos EUA.

Diante de outros cenários de denúncia das influências políticas da rede social, incluindo massacres, o Facebook alega inclusão de mais nativos linguísticos de regiões afetadas por crises humanitárias como a Etiópia, que vive uma sucessão de disputas políticas neste momento, e Mianmar, que em 2018 foi palco de um massacre da etnia Rohingya após o algoritmo do Facebook não ser capaz de deter a campanha a favor dos assassinatos, por não ter empregados conhecedores dos idiomas locais em suas equipes. Vivendo uma crise de imagem, a empresa pode vir a mudar de nome ainda esta semana, segundo a revista americana The Verge.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, não se declarou publicamente sobre os relatórios que apontam os riscos de “servidão doméstica”. Ao mesmo tempo, divulgou na últimas segunda-feira, 25, o esforço na criação de um novo produto para ações comerciais. Em sua declaração afirma que nenhum problema social pode ser resolvido inteiramente pela rede, pois as questões surgiram antes mesmo de sua invenção.

“Penso que qualquer conta honesta deveria ser clara que estas questões não são primariamente das mídias sociais. Isso significa que não importa o que o Facebook faça, nós nunca conseguiremos resolver eles por inteiro. Por exemplo, polarização [política] começou a emergir nos EUA antes mesmo de eu nascer. A realidade é que, se as mídias sociais não são as maiores causadoras dessas questões, então provavelmente não podemos consertá-las”, publicou Zuckerberg em seu perfil no Facebook.

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